Nove Meses Para 84 Segundos

Há projetos fotográficos que se resolvem numa tarde. E há outros, como este, que exigem nove meses de preparação obsessiva para capturar uma imagem que dura menos de um minuto e meio. Foi exatamente esse o desafio abraçado pelo fotógrafo norte-americano Noah Wetzel e pelo atleta da Red Bull Air Force, Mike Brewer, quando decidiram fotografar um voo em wingsuit a cruzar um eclipse solar total.

A operação decorreu em Espanha, aproveitando a estreita janela de totalidade do eclipse — apenas 84 segundos em que a Lua se sobrepõe por completo ao Sol. Nesse curto intervalo, tudo tinha de funcionar em sincronia matemática: o salto, a trajetória do wingsuit, a exposição fotográfica e a coreografia da luz artificial.

O Equipamento Escolhido a Rigor

Wetzel apostou numa combinação técnica de topo para garantir que nenhum detalhe se perdia. Utilizou uma Canon EOS R5 II acoplada a uma teleobjetiva de 600mm, posicionando-se a quase 1,6 quilómetros do ponto de passagem previsto para o atleta.

A esta distância, qualquer desvio de milímetros no plano do salto significaria uma imagem falhada. Para compensar as condições extremas de iluminação durante a fase de totalidade — quando o céu escurece drasticamente — o fotógrafo integrou flashes acionados remotamente, colocados estrategicamente para desenhar a silhueta do wingsuiter contra o disco solar eclipsado.

Quando falamos de fotografar um eclipse total, não há margem para segundas oportunidades. Tudo acontece uma vez, e ou está lá, ou não está.

Cálculos Astronómicos e Trajetórias Milimétricas

A fase de planeamento envolveu software astronómico, simulações de trajetória e ensaios de voo. Mike Brewer treinou o percurso exato que o wingsuit teria de descrever para atravessar o enquadramento no momento certo, sincronizado com a totalidade.

Wetzel calculou a posição solar, a altitude ideal de abertura do paraquedas, a distância focal necessária e a compensação de exposição para captar simultaneamente a coroa solar e a figura humana em pleno voo. Um erro de meio segundo e a fotografia não existiria.

A Colaboração Entre Fotógrafo e Atleta

Este tipo de imagem só é possível quando fotógrafo e sujeito partilham a mesma visão. Wetzel e Brewer trabalharam como uma dupla criativa, testando enquadramentos, revendo métricas de GPS e afinando comunicações via rádio para o dia D.

A Red Bull, conhecida pelo apoio a projetos audiovisuais de alto risco, patrocinou toda a produção. A imagem final resultante — uma silhueta em wingsuit recortada contra o anel dourado da coroa solar — tornou-se instantaneamente viral e um marco na fotografia de aventura contemporânea.

Perspetiva RAFA Audiovisual

Esta reportagem é um lembrete poderoso de que a fotografia de excelência raramente é fruto do acaso. Aqui no Alto Minho, sempre que planeio uma sessão em locais únicos — seja um timelapse da Via Láctea sobre a Serra d'Arga ou um voo de drone durante o fogo das Feiras Novas — aplico o mesmo princípio: preparação é 90% do resultado.

Não temos eclipses todos os meses, mas temos luz dourada em Ponte de Lima, brumas matinais no Lima e festividades que só acontecem uma vez por ano. Cada oportunidade merece o rigor de um projeto Red Bull — mesmo à escala local. Trabalho com equipamento profissional (Canon, Sony, DJI) e a mesma mentalidade: estudar o momento antes de o captar. Se procuras fotografia ou vídeo que respeite a irrepetibilidade do instante, fala comigo.

--- Fonte: PetaPixel | Autor original: Kate Garibaldi Fotografia: Kate Garibaldi / PetaPixel Artigo original: https://petapixel.com/2026/08/13/inside-red-bulls-high-flying-eclipse-photo-nine-months-in-the-making/ Tradução e adaptação: RAFA Audiovisual — Produção de Vídeo e Fotografia no Alto Minho