Alerta lançado pelas forças policiais norte-americanas
Vários departamentos de polícia nos Estados Unidos vieram a público manifestar séria preocupação com a proliferação dos óculos inteligentes da Meta. Segundo comunicados internos que têm circulado entre agências federais e estaduais, o discreto formato do dispositivo, praticamente indistinguível de uns óculos convencionais Ray-Ban, transforma-o numa ferramenta potencialmente perigosa em contextos sensíveis.
As autoridades sublinham que a câmara integrada e os microfones embutidos permitem gravações clandestinas em locais onde tal prática é rigorosamente proibida, nomeadamente prisões, esquadras, salas de interrogatório e tribunais.
Como funciona a captura discreta
Ao contrário de um smartphone, que exige que o utilizador o segure e aponte para o alvo, os Meta Ray-Ban são acionados por comandos de voz discretos ou por um simples toque na haste. A luz LED indicadora, que a Meta introduziu precisamente para sinalizar quando existe gravação ativa, pode ser facilmente tapada ou ignorada por quem esteja a poucos metros de distância.
O problema não é a tecnologia em si — é a impossibilidade prática de saber quando alguém está a filmar-nos numa distância de conversa.
Este pormenor tem alarmado responsáveis de segurança prisional, que temem a exposição de identidades de guardas, colaboradores em programas de proteção de testemunhas e detalhes de infraestruturas críticas.
O receio do terrorismo e da recolha de intel
Além do risco imediato de vídeos partilhados em plataformas sociais sem autorização, as autoridades receiam a utilização dos óculos para reconhecimento prévio de alvos. Um indivíduo mal-intencionado pode percorrer instalações policiais, aeroportos ou centrais elétricas a filmar rotinas, câmaras de vigilância, entradas e horários dos turnos, sem levantar qualquer suspeita.
Este tipo de recolha de informação, tradicionalmente associada a operações mais elaboradas, torna-se agora acessível a qualquer pessoa disposta a investir algumas centenas de euros. Alguns memorandos internos policiais já recomendam a proibição total dos dispositivos em áreas classificadas.
Reação da Meta e enquadramento legal
A Meta tem defendido que os óculos foram concebidos com salvaguardas de privacidade, incluindo a referida luz de gravação e a impossibilidade de captar imagens sem consentimento explícito do utilizador. Porém, especialistas em segurança contestam a eficácia destas medidas em ambientes onde ninguém está a olhar diretamente para o portador do dispositivo.
Nos Estados Unidos, o enquadramento legal varia consoante o estado, o que dificulta uma resposta coordenada. Alguns estados permitem gravações de áudio com consentimento de apenas uma das partes, outros exigem consentimento bilateral. Em Portugal, a legislação é mais restritiva: a captação de imagem e som sem autorização configura crime previsto no artigo 199.º do Código Penal.
Perspetiva RAFA Audiovisual
Enquanto profissional de vídeo no Alto Minho, acompanho com atenção a evolução dos óculos inteligentes porque representam uma mudança de paradigma na captação em primeira pessoa. Para trabalhos editoriais ou documentais, um dispositivo tão discreto abre portas criativas para registar momentos autênticos sem o peso e a intrusão de uma câmara tradicional.
No entanto, esta mesma discrição levanta questões éticas que qualquer criador sério tem obrigação de considerar. Em rodagens que envolvam pessoas ou espaços privados, o consentimento informado deixa de ser uma formalidade e passa a ser um pilar fundamental da profissão. Nos serviços que presto — casamentos, eventos, promocionais imobiliários — a transparência sobre o equipamento utilizado é inegociável, e continuo a apostar em câmaras profissionais visíveis, precisamente para que ninguém sinta que está a ser filmado sem saber.
--- Fonte: PetaPixel | Autor original: Pesala Bandara Fotografia: Pesala Bandara / PetaPixel Artigo original: https://petapixel.com/2026/09/09/us-police-warn-meta-smart-glasses-could-be-a-security-threat/ Tradução e adaptação: RAFA Audiovisual — Produção de Vídeo e Fotografia no Alto Minho