O sistema GFX abre-se à concorrência
O sistema Fujifilm GFX está perto de completar uma década no mercado e tornou-se uma das histórias de sucesso mais discretas da fotografia profissional. O formato médio digital, antes reservado a estúdios e orçamentos astronómicos, encontrou nos corpos GFX uma nova vida — mais compacta, mais acessível e, acima de tudo, mais versátil para trabalho de campo.
Esse sucesso tem agora um indicador claro: as marcas terceiras começaram a desenvolver objetivas dedicadas ao G-Mount. A NiSi, conhecida sobretudo pelos seus filtros e acessórios de iluminação, entra agora no jogo com uma proposta ambiciosa — a NiSi 16mm f/2.8 ASPH, uma ultra grande angular para médio formato.
Especificações e proposta técnica
A nova objetiva da NiSi apresenta uma distância focal de 16mm, o que corresponde a um ângulo de visão equivalente a aproximadamente 13mm em formato full-frame. Trata-se, portanto, de uma lente extremamente larga, pensada para arquitetura, paisagem e cenas em que o espaço disponível é limitado.
Com abertura máxima de f/2.8 e construção que inclui elementos asféricos (ASPH), a NiSi promete manter a qualidade óptica ao longo de todo o fotograma — um desafio considerável quando se trabalha com o sensor de 44x33mm dos corpos GFX, significativamente maior que o full-frame tradicional.
Será demasiado larga?
A questão levantada pela crítica internacional é pertinente. Uma objetiva de 13mm equivalente é uma ferramenta especializada, não uma lente de uso geral. A distorção de perspetiva torna-se dramática a esta distância focal, e composições descuidadas resultam facilmente em imagens com elementos exagerados nos cantos ou linhas convergentes impossíveis de corrigir.
Uma grande angular extrema não é uma lente que se compra para resolver tudo — é uma lente que se compra para resolver problemas específicos que mais nenhuma outra consegue abordar.
Para quem fotografa interiores apertados, paisagens com primeiro plano forte ou vídeo em espaços confinados, uma objetiva deste tipo é indispensável. Para o resto do tempo, pode permanecer na mala.
O mercado terceiro no G-Mount
A entrada da NiSi no ecossistema G-Mount acompanha movimentos semelhantes de marcas como Viltrox, Mitakon e TTArtisan. Esta diversificação é saudável para o utilizador final — reduz o custo de entrada no formato médio e amplia as opções criativas disponíveis.
A Fujifilm, por seu lado, parece ter adotado uma postura aberta, permitindo que terceiros desenvolvam objetivas sem as barreiras técnicas que outras marcas impõem. O resultado é um sistema que, apesar de nicho, está a amadurecer rapidamente.
Perspetiva RAFA Audiovisual
No trabalho de vídeo e fotografia que desenvolvo no Alto Minho, uma objetiva deste género teria aplicações muito específicas. Pensemos nas festas e romarias tradicionais, onde o espaço entre o fotógrafo e a ação é frequentemente inexistente — uma ultra grande angular permite captar o ambiente completo sem recuar para fora do momento.
Da mesma forma, em vídeo imobiliário, uma lente de 13mm equivalente transforma a forma como se mostra um apartamento ou uma casa rural. Espaços que pareceriam modestos ganham amplitude e sensação de habitabilidade, algo essencial para quem vende ou arrenda imóveis em zonas turísticas como Ponte de Lima ou Viana do Castelo.
Dito isto, para o grosso do trabalho — eventos, retratos de família, concertos — uma distância focal mais versátil continua a ser a escolha certa. A NiSi 16mm f/2.8 é uma ferramenta de especialista. Para quem precisa, não há substituto. Para quem não precisa, é melhor investir noutra coisa.
--- Fonte: PetaPixel | Autor original: Jeremy Gray Fotografia: Jeremy Gray / PetaPixel Artigo original: https://petapixel.com/2026/10/04/nisi-16mm-f-2-8-asph-g-mount-review-there-might-be-such-a-thing-as-too-wide/ Tradução e adaptação: RAFA Audiovisual — Produção de Vídeo e Fotografia no Alto Minho