Uma mudança estratégica inesperada
A Meta estará a preparar uma nova geração de óculos inteligentes que abandona por completo a câmara integrada, segundo informações recentes avançadas pela imprensa internacional. Trata-se de uma viragem significativa na estratégia da empresa liderada por Mark Zuckerberg, que até aqui apostou em modelos como os Ray-Ban Meta precisamente pela capacidade de captação de fotografia e vídeo em primeira pessoa.
Esta decisão surge num momento em que os wearables inteligentes enfrentam um debate cada vez mais aceso sobre privacidade e vigilância no espaço público, com utilizadores, reguladores e associações de defesa dos consumidores a questionarem o impacto destes dispositivos no quotidiano.
Porquê retirar a câmara?
A escolha de eliminar o módulo fotográfico não é acidental. A Meta tem sido alvo de escrutínio crescente em várias jurisdições devido à discrição com que os óculos atuais permitem gravar terceiros sem que estes se apercebam. O pequeno LED indicador de gravação, embora presente, tem sido considerado insuficiente por especialistas em privacidade.
Ao remover a câmara, a Meta procura desarmar as principais críticas e abrir o mercado a um público que rejeita o formato atual por receio de exposição involuntária.
Este novo modelo poderá funcionar como hub sonoro e assistente de IA vestível, mantendo microfones, colunas embutidas e integração com o assistente da empresa, sem levantar os problemas éticos associados à captação de imagem.
O que esperar da nova geração
Embora ainda não existam confirmações oficiais, tudo indica que os novos óculos manterão o design discreto que caracteriza a parceria com a EssilorLuxottica, dona da Ray-Ban. As funcionalidades esperadas incluem:
— Chamadas telefónicas e reprodução de áudio de alta qualidade;
— Acesso ao Meta AI por comando de voz;
— Tradução em tempo real e leitura de notificações;
— Autonomia superior, dada a ausência de sensor de imagem.
A aposta poderá agradar a profissionais e utilizadores empresariais que até aqui viam o modelo atual como inadequado para ambientes corporativos, hospitais, escolas ou espaços onde a captação de imagem é sensível ou proibida.
Impacto no mercado de wearables
A concorrência não está parada. A Apple, a Google e várias marcas asiáticas preparam propostas semelhantes, algumas com ecrãs micro-OLED integrados e outras com foco em áudio puro. Ao segmentar a oferta em duas linhas — uma com câmara, outra sem — a Meta poderá alargar significativamente a sua base de clientes.
Para o mercado europeu, e em particular para Portugal, esta versão sem câmara pode representar uma entrada mais fácil junto de consumidores tradicionalmente mais cautelosos com tecnologias de captação passiva.
Perspetiva RAFA Audiovisual
Do ponto de vista de quem trabalha diariamente com captação de imagem e vídeo profissional, a decisão da Meta é reveladora. Os óculos com câmara nunca foram, nem serão, substitutos de um verdadeiro sistema de produção audiovisual — a qualidade de sensor, ótica e estabilização de uma câmara dedicada continua incomparável.
No entanto, a existência destes dispositivos criou um clima de desconfiança que afeta indiretamente fotógrafos e videastas profissionais, muitas vezes confundidos com utilizadores discretos de wearables. A separação clara entre um óculos-áudio e uma câmara profissional pode, paradoxalmente, devolver clareza ao ofício: quem grava com equipamento visível e assumido está a fazer trabalho declarado, com contrato, autorização e propósito narrativo.
No Alto Minho, onde muitos dos nossos projetos decorrem em ambientes íntimos — festas populares, retratos familiares, eventos empresariais — este debate é bem-vindo. A tecnologia deve servir a história, nunca comprometer a confiança de quem está diante da objetiva.
--- Fonte: PetaPixel | Autor original: Matt Growcoot Fotografia: Matt Growcoot / PetaPixel Artigo original: https://petapixel.com/2026/09/16/meta-might-be-about-to-release-smart-glasses-without-a-camera/ Tradução e adaptação: RAFA Audiovisual — Produção de Vídeo e Fotografia no Alto Minho