Meta aposta em produção própria sem Ray-Ban

A Meta deu um passo decisivo na estratégia de hardware ao apresentar uma nova linha de smart glasses desenhados e produzidos internamente, prescindindo da histórica parceria com a EssilorLuxottica, proprietária da Ray-Ban. Esta mudança representa uma viragem importante na forma como a empresa de Mark Zuckerberg encara o mercado dos óculos inteligentes, procurando maior controlo sobre design, software e margens de lucro.

Com o preço de partida fixado nos 299 dólares, a Meta posiciona-se claramente num segmento mais acessível, cerca de 100 dólares abaixo dos modelos Ray-Ban Meta já existentes. A jogada é clara: massificar a adoção desta categoria de produto antes que concorrentes como a Apple ou a Samsung consolidem alternativas próprias.

Especificações técnicas e capacidades de IA

Os novos óculos integram câmaras de captação fotográfica e vídeo, microfones direcionais e altifalantes embutidos nas hastes, tal como a linha anterior. A grande diferença está no processador dedicado a tarefas de inteligência artificial, que permite tradução em tempo real, identificação visual de objetos e assistência por voz através do Meta AI.

A autonomia anunciada ronda as quatro horas de utilização intensiva, com estojo de carregamento que estende esse valor para mais de 30 horas. A captação de vídeo continua limitada a clips curtos em 1080p, suficiente para redes sociais, mas longe das exigências de produção profissional.

Queremos que os óculos inteligentes sejam tão comuns como os smartphones. Para isso, o preço tem de descer e a utilidade tem de subir.

O que esta decisão revela sobre o mercado

Ao abandonar parcialmente a dependência da Ray-Ban para esta gama, a Meta sinaliza que os óculos inteligentes deixaram de ser um produto de nicho premium e passaram a integrar a estratégia central da empresa. A separação permite também maior flexibilidade na introdução de funcionalidades, sem ter de negociar cada detalhe de design com a casa italiana.

Os analistas apontam que a verdadeira competição não está nos óculos atuais, mas sim na próxima geração com ecrãs holográficos integrados nas lentes, prevista para 2027. A Meta parece querer construir uma base de utilizadores fiéis antes desse salto tecnológico.

Impacto na criação de conteúdo audiovisual

Para fotógrafos e videógrafos, esta categoria de produto continua a ser mais um acessório de captação rápida do que uma ferramenta principal. No entanto, a qualidade tem evoluído ao ponto de já permitir bastidores, registos em primeira pessoa e capturas espontâneas com resultado aceitável para conteúdo digital.

A integração com redes sociais como o Instagram permite transmissões diretas, abrindo possibilidades interessantes para coberturas de eventos, casamentos e reportagens de viagem onde a discrição é uma vantagem.

Perspetiva RAFA Audiovisual

Do ponto de vista profissional, os óculos inteligentes da Meta não substituem câmaras dedicadas nem drones para trabalhos que exijam qualidade cinematográfica. Contudo, vejo nesta nova gama uma ferramenta complementar com potencial real para captação de bastidores autênticos em rodagens no Alto Minho, registos discretos em eventos corporativos e até apoio em direções de fotografia onde o ponto de vista do realizador acrescenta valor narrativo.

O preço mais acessível de 299 dólares torna a experimentação viável para profissionais que queiram explorar novas linguagens visuais sem grande investimento. Continuarei a apostar em equipamento profissional para os projetos audiovisuais que desenvolvo em Ponte de Lima, Viana do Castelo e Braga, mas reconheço que tecnologias como esta vão moldar a forma como contamos histórias nos próximos anos.

--- Fonte: PetaPixel | Autor original: Pesala Bandara Fotografia: Pesala Bandara / PetaPixel Artigo original: https://petapixel.com/2026/06/25/meta-launches-cheaper-smart-glasses-without-ray-ban-starting-at-299/ Tradução e adaptação: RAFA Audiovisual — Produção de Vídeo e Fotografia no Alto Minho