Quando a Tecnologia Antiga Vence a Modernidade
Vivemos numa era em que cada lançamento promete revolucionar a fotografia. Sensores de 60 megapixels, autofoco com inteligência artificial, ISO nativos que penetram a escuridão absoluta. E, no entanto, há algo profundamente desconfortável nesta corrida sem fim: quanto mais perfeitas se tornam as nossas câmaras, mais vazias parecem as imagens que produzem.
É aqui que entra a Leica M9 Monochrom, uma máquina lançada em 2012 que, no papel, não tem qualquer hipótese de competir em 2026. Apenas 18 megapixels, ISO máximo limitado, sem autofoco, sem estabilização, sem vídeo. E ainda assim, continua a ser uma das ferramentas mais procuradas por fotógrafos que valorizam carácter acima de especificações.
O Sensor CCD: Uma Linguagem Visual Quase Extinta
O segredo da M9 Monochrom reside no seu sensor CCD Kodak, uma tecnologia praticamente abandonada pela indústria em favor dos sensores CMOS modernos. Esta escolha técnica, hoje considerada obsoleta, é precisamente o que confere às imagens uma qualidade impossível de replicar com pós-produção.
O CCD captura a luz de uma forma diferente. As transições tonais são mais suaves, os pretos têm uma profundidade quase tridimensional e os brancos preservam textura mesmo nas zonas mais brilhantes. É uma assinatura visual que se aproxima do filme analógico sem o esforço do processo químico.
O CCD não fotografa pixels, fotografa luz. E essa diferença é tudo.
A Liberdade da Limitação Criativa
Trabalhar exclusivamente a preto e branco força uma mudança fundamental na forma como vemos o mundo. Sem a distração da cor, o fotógrafo é obrigado a pensar em luz, sombra, contraste e composição. Não há atalhos, não há rede de segurança.
A M9 Monochrom remove camadas de complexidade que muitas vezes se tornam barreiras criativas. Não há menus intermináveis, não há perfis de cor para escolher, não há simulações de filme. Há apenas o fotógrafo, a luz e o momento. Para quem trabalha em fotojornalismo, retrato documental ou street photography, esta simplicidade é libertadora.
O Mito do Megapixel em 2026
A indústria convenceu-nos de que mais megapixels equivalem a melhores fotografias. A verdade é que 18 megapixels continuam a ser mais do que suficientes para praticamente qualquer aplicação profissional, incluindo impressões de grande formato e capas de revista.
O que diferencia uma imagem memorável não é a resolução, é a intenção, o timing e a qualidade da luz. A Leica M10-R e a M11-P oferecem ficheiros tecnicamente superiores, mas raramente produzem imagens com a mesma alma. Os ficheiros da M9 Monochrom têm uma personalidade que se reconhece à distância, mesmo num scroll rápido de Instagram.
O Foco Manual Como Disciplina
Sem autofoco, cada fotografia exige presença total. O fotógrafo tem de antecipar o movimento, calcular a distância, sentir o momento. Este processo, que parece arcaico aos olhos modernos, é precisamente o que cria uma ligação mais profunda com o tema.
O sistema de telémetro da Leica M obriga a uma forma de fotografar quase meditativa. Não se dispara em rajadas de 20 imagens por segundo. Dispara-se quando o momento existe. E essa diferença reflete-se no resultado final.
Perspetiva RAFA Audiovisual
Como profissional de imagem no Alto Minho, reconheço o valor desta filosofia também no trabalho audiovisual. Trabalhar com equipamento que nos força a pensar antes de disparar produz resultados mais sólidos do que confiar cegamente na automatização.
Na RAFA Audiovisual, valorizamos ferramentas que respeitam o processo criativo. Seja em vídeo institucional, fotografia de eventos ou produções aéreas com drone, a escolha do equipamento certo nunca é uma questão de especificações máximas, é uma questão de adequação à visão. A M9 Monochrom é prova de que, por vezes, a tecnologia mais antiga continua a ser a resposta mais elegante para a fotografia contemporânea.
--- Fonte: PetaPixel | Autor original: Tomer Vaknin Fotografia: Tomer Vaknin / PetaPixel Artigo original: https://petapixel.com/2026/06/21/the-unapologetic-soul-why-i-keep-returning-to-the-14-year-old-leica-m9-monochrom/ Tradução e adaptação: RAFA Audiovisual — Produção de Vídeo e Fotografia no Alto Minho