Kodak Reafirma o Compromisso com o Filme Analógico
Enquanto muitos consideravam a fotografia em filme como uma relíquia do passado, a Eastman Kodak tem vindo silenciosamente a construir uma narrativa diferente. Os resultados financeiros recentes da empresa não só surpreenderam analistas do setor, como confirmaram algo que a comunidade fotográfica já suspeitava: o filme está vivo e a crescer.
A par destes números encorajadores, a marca lançou há alguns meses uma série de novos produtos que merecem atenção — mesmo que já não sejam propriamente novidade absoluta. Trata-se de uma expansão estratégica que abrange grandes formatos e rolos a granel (bulk rolls), respondendo diretamente aos pedidos de uma comunidade cada vez mais exigente.
Novos Formatos Grandes: Uma Vitória para os Puristas
O lançamento de novos filmes em grande formato representa muito mais do que uma simples adição ao catálogo. Para os fotógrafos que trabalham com câmaras de médio e grande formato, esta decisão da Kodak significa a validação de um mercado que, apesar de nicho, permanece fiel e apaixonado.
Estes formatos permitem capturar imagens com uma resolução e riqueza tonal que os sensores digitais ainda lutam por igualar. A textura, o grão e a profundidade que caracterizam o filme continuam a atrair fotógrafos que valorizam o processo artesanal e o resultado final único.
Cada rolo de filme é uma promessa. Uma promessa de que aquele momento nunca mais se repetirá exatamente da mesma forma.
Bulk Rolls: Democratizar o Analógico
A introdução de rolos a granel é talvez a decisão mais impactante para o fotógrafo entusiasta. Ao comprar filme em grandes quantidades e enrolar as próprias cassetes, o custo por disparo reduz-se drasticamente — um fator crítico numa era em que o preço do filme tem sido uma barreira significativa ao seu uso.
Esta abordagem também traz de volta uma dimensão artesanal e educativa que muitos consideravam perdida. Aprender a manusear filme na escuridão, calcular exposições e desenvolver o próprio material transforma o ato fotográfico numa experiência completa.
O Renascimento Analógico e o Contexto Português
Em Portugal, o interesse pela fotografia em filme tem crescido de forma consistente nos últimos anos. Novas gerações descobrem as câmaras analógicas em segunda mão, laboratórios independentes reabrem, e comunidades online partilham técnicas e resultados. As decisões da Kodak alimentam diretamente este ecossistema.
A empresa parece ter compreendido que o filme não compete com o digital — coexiste com ele. Cada meio tem o seu propósito, a sua estética e o seu público. Ao investir em ambos os extremos do mercado (formatos grandes profissionais e rolos a granel para entusiastas), a Kodak posiciona-se para servir toda a pirâmide de utilizadores.
Perspetiva RAFA Audiovisual
Na RAFA Audiovisual, acompanhamos com entusiasmo o regresso do filme como meio criativo relevante. Embora o nosso trabalho seja predominantemente digital — pela eficiência, flexibilidade e qualidade que oferece aos clientes no Alto Minho —, reconhecemos o valor estético e emocional que o analógico continua a proporcionar.
Para projetos específicos, como ensaios de autor, documentários íntimos ou peças de storytelling com forte identidade visual, a incorporação de filme pode elevar significativamente o resultado final. A decisão da Kodak em reforçar a aposta neste segmento é, para nós, uma excelente notícia: garante a continuidade de uma ferramenta criativa que muitos fotógrafos e realizadores portugueses valorizam profundamente.
--- Fonte: PetaPixel | Autor original: Jeremy Gray Fotografia: Jeremy Gray / PetaPixel Artigo original: https://petapixel.com/2026/08/14/eastman-kodak-goes-big-and-shows-film-some-more-love/ Tradução e adaptação: RAFA Audiovisual — Produção de Vídeo e Fotografia no Alto Minho