Dois anos a percorrer a América em busca do extraordinário
O fotógrafo de viagens e natureza Jake Guzman dedicou os últimos dois anos a um projeto ambicioso: documentar as paisagens mais surreais dos Estados Unidos. O resultado é Otherworldly America, um livro de fotografia com 256 páginas que reúne centenas de imagens captadas de uma ponta à outra do país, do Alasca ao Havai, passando pela Nova Inglaterra.
A proposta do autor é simples mas poderosa: mostrar que o território norte-americano esconde cenários tão estranhos e fascinantes que parecem pertencer a outro planeta. Desertos vermelhos, lagos turquesa, formações rochosas esculpidas pelo vento e florestas geladas compõem um retrato pouco habitual de uma geografia que muitos julgam conhecer.
Uma obra que vai além do postal turístico
Ao contrário das típicas compilações de fotografia de paisagem, Otherworldly America procura escapar dos enquadramentos óbvios. Guzman aposta em ângulos pouco explorados, luz fora do comum e composições que valorizam o estranho em detrimento do bonito convencional.
Os Estados Unidos são um poço inesgotável de oportunidades fotográficas, e este livro é uma homenagem ao que torna o país tão especial para quem trabalha com paisagem.
A obra funciona simultaneamente como portefólio pessoal e como inspiração para outros fotógrafos, sugerindo que mesmo os destinos mais batidos podem render imagens originais quando abordados com olhar paciente e curioso.
O peso do trabalho de campo na fotografia de paisagem
Projetos como o de Guzman recordam algo essencial: a fotografia de paisagem exige tempo, planeamento e disponibilidade para repetir viagens. Captar a luz certa numa determinada localização pode obrigar a regressar várias vezes, em diferentes estações do ano e em condições meteorológicas distintas.
O trabalho de dois anos por trás deste livro evidencia uma realidade da profissão que raramente é visível ao público: por cada imagem publicada, há dezenas de tentativas falhadas, deslocações longas e horas de espera. É esta persistência que separa o registo turístico da fotografia autoral.
Livros de fotografia como objeto editorial
Num tempo dominado pelo consumo rápido de imagens nas redes sociais, o lançamento de um livro físico com 256 páginas é também uma declaração de intenções. O formato impresso convida a uma observação demorada, valoriza a sequência das imagens e oferece uma experiência tátil que o ecrã não consegue replicar.
Para colecionadores e amantes de fotografia, Otherworldly America integra-se numa tradição editorial que continua viva e que prova que o livro de fotografia mantém o seu lugar como suporte privilegiado para projetos de longa duração.
Perspetiva RAFA Audiovisual
No Alto Minho, vivemos diariamente uma realidade semelhante à que Guzman descreve: paisagens extraordinárias que muitas vezes passam despercebidas a quem as atravessa de carro. Das serras do Soajo e da Peneda aos vales escondidos do Lima, há cenários que merecem o mesmo olhar paciente que o fotógrafo norte-americano dedicou ao seu país.
O nosso trabalho de vídeo e fotografia na região é também ele um exercício de redescoberta. Filmar uma quinta familiar, uma feira tradicional ou um imóvel à beira-rio implica esperar pela luz, voltar ao local em alturas diferentes e perceber o que torna cada sítio único. É essa lógica de tempo lento, tão presente no projeto de Guzman, que nos parece essencial para qualquer trabalho audiovisual com valor duradouro.
--- Fonte: PetaPixel | Autor original: Jeremy Gray Fotografia: Jeremy Gray / PetaPixel Artigo original: https://petapixel.com/2026/06/20/photographer-jake-guzman-captures-americas-almost-alien-landscapes/ Tradução e adaptação: RAFA Audiovisual — Produção de Vídeo e Fotografia no Alto Minho