Um comportamento raro captado em vídeo pela primeira vez
Uma equipa internacional de biólogos marinhos conseguiu registar, pela primeira vez na história, imagens em vídeo de golfinhos a utilizar conchas do mar como ferramentas para apanhar peixes. As filmagens, obtidas ao largo da costa da Austrália Ocidental, mostram os cetáceos a mergulhar até ao fundo do oceano, a recolher conchas de grandes dimensões e a usá-las para prender e capturar as suas presas.
Este comportamento, apelidado pelos investigadores de "shelling", tinha sido observado ocasionalmente por cientistas, mas nunca antes fora documentado em vídeo de forma tão clara e detalhada. As imagens representam um marco importante para a etologia marinha e para a compreensão da inteligência destes mamíferos.
Como funciona a técnica de caça com conchas
O processo é surpreendentemente engenhoso. Os golfinhos localizam peixes que se refugiaram no interior de conchas vazias no leito oceânico. Em vez de tentarem extraí-los diretamente, os cetáceos transportam a concha inteira até à superfície com o focinho, agitando-a depois no ar para forçar o peixe a cair diretamente na sua boca.
É um exemplo notável de uso de ferramentas no reino animal, comparável apenas ao comportamento de alguns primatas e aves.
Esta técnica exige coordenação motora, planeamento e uma compreensão avançada de causa e efeito, capacidades cognitivas que reforçam a reputação dos golfinhos como uma das espécies mais inteligentes do planeta.
Transmissão cultural entre gerações
Uma das descobertas mais fascinantes do estudo diz respeito à transmissão cultural do comportamento. Os investigadores verificaram que as crias observam repetidamente as mães a executar a técnica, imitando os movimentos até dominarem o processo. Este tipo de aprendizagem por observação, denominado transmissão vertical, é raro no mundo animal.
Curiosamente, o estudo revelou também casos de transmissão horizontal — entre indivíduos adultos sem laços familiares diretos — sugerindo que o "shelling" funciona como uma verdadeira tradição cultural dentro de certas populações de golfinhos.
O desafio técnico de filmar debaixo de água
Registar este tipo de comportamento não é tarefa fácil. A equipa de investigação recorreu a drones aquáticos, câmaras subaquáticas de alta velocidade e sistemas de captura de imagem estabilizada para conseguir documentar as sequências completas. A visibilidade limitada, as correntes e a imprevisibilidade dos animais tornam cada gravação um desafio logístico considerável.
As câmaras utilizadas foram configuradas para captar em resoluções elevadas com taxas de fotogramas superiores, permitindo aos cientistas analisar cada gesto ao pormenor e confirmar que o comportamento é intencional e não fruto do acaso.
Perspetiva RAFA Audiovisual
Como profissional de vídeo e fotografia no Alto Minho, este tipo de trabalho documental impressiona-me profundamente. Captar um comportamento tão raro exige paciência, equipamento adequado e um profundo conhecimento do tema filmado — princípios que aplico em cada projeto que realizo, seja um evento local, uma peça institucional ou uma reportagem para redes sociais.
A qualidade de imagem e a capacidade de contar uma história com autenticidade continuam a ser as ferramentas mais poderosas do audiovisual. Quer se trate de golfinhos no oceano ou de um momento único em Ponte de Lima, a diferença está no olhar de quem filma e na tecnologia que serve essa visão.
--- Fonte: PetaPixel | Autor original: Pesala Bandara Fotografia: Pesala Bandara / PetaPixel Artigo original: https://petapixel.com/2026/08/13/scientists-capture-world-first-footage-of-dolphins-using-seashells-to-catch-fish/ Tradução e adaptação: RAFA Audiovisual — Produção de Vídeo e Fotografia no Alto Minho