Getty Images avança para reestruturação financeira
A Getty Images, uma das maiores agências de banco de imagens do mundo, anunciou esta semana um acordo de reestruturação e confirmou que vai iniciar nas próximas semanas um processo pré-combinado de Chapter 11 ao abrigo da lei de falências dos Estados Unidos. A notícia abalou a comunidade fotográfica global, uma vez que milhares de profissionais dependem dos royalties pagos pela plataforma como fonte de rendimento complementar ou principal.
O chamado prepackaged bankruptcy é um mecanismo que permite à empresa negociar previamente com os credores antes de entrar formalmente em tribunal, acelerando o processo e evitando a liquidação total. Significa que a Getty não vai desaparecer — mas vai transformar-se profundamente.
O que acontece aos pagamentos dos fotógrafos
A grande questão para os fotógrafos contribuidores é saber se os royalties acumulados serão pagos. Historicamente, em processos de Chapter 11, os créditos de fornecedores e colaboradores entram numa lista de credores comuns, o que pode significar atrasos significativos ou pagamentos parciais.
Os contratos existentes continuam válidos durante o processo de Chapter 11, mas o tribunal pode autorizar a empresa a rejeitar acordos considerados onerosos — incluindo acordos de exclusividade com fotógrafos.
Na prática, quem tem valores pendentes na Getty deve descarregar imediatamente todos os relatórios financeiros, guardar provas das vendas realizadas e consultar aconselhamento jurídico se os montantes forem elevados.
Contratos de exclusividade e licenciamento
Muitos fotógrafos têm contratos exclusivos com a Getty através da iStock ou da própria Getty Premium. Durante um processo de reestruturação, a empresa pode optar por renegociar ou rescindir contratos que considere desvantajosos. Para os autores, isto pode ser simultaneamente uma ameaça e uma oportunidade.
Especialistas em direito de propriedade intelectual recomendam que os fotógrafos:
Revejam todas as cláusulas de exclusividade para perceber se podem passar a licenciar o mesmo conteúdo noutras plataformas como Adobe Stock, Shutterstock ou Alamy.
Mantenham cópias locais de todos os ficheiros entregues à Getty, uma vez que o acesso ao sistema pode ficar temporariamente limitado.
Documentem comunicações com a empresa, especialmente sobre pagamentos pendentes e termos contratuais.
O impacto no mercado de banco de imagens
A falência técnica da Getty acontece num momento particularmente delicado para o setor. A ascensão da inteligência artificial generativa, com ferramentas como Midjourney, DALL-E e Stable Diffusion, reduziu drasticamente a procura por imagens de stock tradicionais. Simultaneamente, a Getty mantém uma guerra judicial contra a Stability AI por alegada utilização indevida de imagens para treinar modelos.
O mercado de banco de imagens, que já valeu milhares de milhões, está em contração acelerada. Fotógrafos que dependiam exclusivamente deste modelo de negócio estão a diversificar fontes de rendimento — apostando em fotografia por encomenda, vídeo corporativo, conteúdo editorial direto e plataformas de assinatura próprias.
Próximos passos para os profissionais afetados
Para os fotógrafos portugueses e europeus com portfólios ativos na Getty, a prioridade é monitorizar as comunicações oficiais da empresa e dos administradores de insolvência. O processo de Chapter 11 nos EUA costuma durar entre seis e dezoito meses, durante os quais podem surgir oportunidades de recuperar valores ou renegociar termos.
Recomenda-se também contactar associações profissionais como a American Society of Media Photographers (ASMP) ou representantes europeus equivalentes, que frequentemente coordenam ações coletivas em casos deste tipo.
Perspetiva RAFA Audiovisual
Na RAFA Audiovisual, acompanhamos de perto estas transformações no mercado global de imagem. A notícia da Getty confirma uma tendência que já observávamos: o modelo de banco de imagens tradicional está em declínio e os profissionais que apostam em serviços locais, personalizados e com relação direta com o cliente são os que mantêm negócios sustentáveis.
No Alto Minho, continuamos a produzir conteúdo original para empresas, autarquias e eventos, sem dependência de plataformas intermediárias. A fotografia e o vídeo feitos com conhecimento do território, das pessoas e das histórias locais têm um valor que nenhum banco de imagens — nem qualquer IA — consegue replicar. Para quem trabalha com a Getty, o momento é de prudência, diversificação e, acima de tudo, de reforçar a ligação direta com clientes finais.
--- Fonte: PetaPixel | Autor original: Thomas Maddrey Fotografia: Thomas Maddrey / PetaPixel Artigo original: https://petapixel.com/2026/10/12/how-gettys-bankruptcy-affects-photographers-payments-contracts-and-next-steps/ Tradução e adaptação: RAFA Audiovisual — Produção de Vídeo e Fotografia no Alto Minho