O Problema que a Fujifilm Precisava de Resolver
Quando a Fujifilm Eterna 55 foi anunciada, o entusiasmo entre operadores de câmara foi imediato — um sensor de médio formato numa corpo pensado para produção cinematográfica é algo raro. Porém, o entusiasmo esbarrava numa realidade incómoda: faltavam objetivas verdadeiramente cine para tirar partido do sensor GFX.
Depois de vários meses a filmar um documentário no Alasca com a Eterna 55, posso confirmar que encontrar ópticas adequadas foi o maior desafio de toda a produção. Adaptadores, lentes fotográficas com focus breathing agressivo, ausência de engrenagens para follow focus — tudo somava fricção ao workflow. As novas Fujinon GF 19-35mm T3.5 e GF 32-90mm T3.5 chegam precisamente para curar esse mal.
Construção e Ergonomia Cine
À primeira vista, ambas as objetivas apresentam o design clássico das cine zooms profissionais: barril metálico robusto, três anéis distintos (foco, íris e zoom) com engrenagens standard 0.8 mod, marcações duplas para leitura em ambos os lados e paragens rígidas em fim de curso.
O peso é substancial — cerca de 2,9 kg cada — mas parallel-focal, ou seja, o foco mantém-se ao longo de todo o curso do zoom. Este pormenor, aliado ao focus breathing praticamente eliminado, coloca-as num patamar diferente das alternativas fotográficas adaptadas.
Desempenho Óptico em Campo
Em condições reais de rodagem, a nitidez em T3.5 é excelente do centro à periferia, mesmo a explorar todo o círculo de imagem GFX. O contraste é neutro, o rendering das peles é agradável e o flare é controlado sem ser esterilizado — mantém carácter cinematográfico sem entrar em territórios exagerados.
Depois de semanas a lutar com adaptadores no Alasca, montar estas objetivas na Eterna 55 foi como respirar fundo pela primeira vez em meses.
A rotação do foco de 300 graus permite pulls precisos, e a íris tem transições suaves sem cliques, essencial para ajustes de exposição durante a tomada.
Comparação com Alternativas do Mercado
No universo do médio formato para cinema, a concorrência direta é escassa. Ópticas anamórficas Hawk ou Arri Rental existem, mas com custos proibitivos para produções independentes. As Fujinon GF posicionam-se como a primeira solução acessível para quem quer explorar o sensor Eterna 55 sem hipotecar o orçamento em ópticas de aluguer.
Comparadas com adaptar Zeiss Supreme Primes ou Cooke S7/i via extensores, ganha-se cobertura nativa, controlo total dos anéis e ausência de perdas de luz por elementos ópticos adicionais.
Perspetiva RAFA Audiovisual
Para produções documentais e cinematográficas no Alto Minho, este anúncio é relevante mesmo para quem não trabalha em médio formato. A tendência de fabricantes tradicionalmente fotográficos investirem em ópticas verdadeiramente cine (com engrenagens, breathing controlado e T-stops calibrados) baixa a barreira de entrada para produções regionais.
Na RAFA Audiovisual continuamos focados em Super 35 e full-frame para os projetos de Braga, Viana e Porto, mas acompanhamos de perto esta evolução — o médio formato cinematográfico deixará de ser exclusivo de grandes produções de Hollywood nos próximos anos, e a Fujifilm está claramente a liderar essa democratização.
--- Fonte: PetaPixel | Autor original: Jordan Drake Fotografia: Jordan Drake / PetaPixel Artigo original: https://petapixel.com/2026/08/15/fujinon-gf-19-35mm-and-32-90mm-t3-5-review-the-cure-for-what-ails/ Tradução e adaptação: RAFA Audiovisual — Produção de Vídeo e Fotografia no Alto Minho