O Regresso Inesperado das Compactas Canon
O mercado fotográfico vive atualmente um fenómeno curioso e nostálgico. As antigas câmaras Canon PowerShot point-and-shoot, muitas delas com mais de uma década, estão a ser disputadas por fotógrafos de todas as gerações. O último relatório de vendas da Map Camera, uma das mais prestigiadas lojas japonesas de material fotográfico usado, confirma esta tendência que já dura vários meses.
Modelos como a PowerShot G7 X, G9 X e a lendária S110 estão a atingir preços surpreendentes no mercado de segunda mão, muitas vezes superiores ao seu valor original de lançamento. Este movimento contraria toda a lógica tradicional de depreciação do equipamento fotográfico.
Sony a7 V Recupera a Liderança das Vendas
Após uma breve pausa de apenas um mês no topo, a Sony a7 V voltou a assumir a primeira posição das tabelas de vendas da Map Camera. A câmara full-frame híbrida da Sony continua a ser a escolha preferida dos profissionais e entusiastas japoneses, consolidando o domínio da marca no segmento mirrorless.
A combinação entre a nova geração de sensores da Sony e a nostalgia pelas compactas Canon revela um mercado fotográfico em transformação profunda.
Este regresso ao topo demonstra a solidez do ecossistema Sony E-mount e a confiança dos utilizadores na fiabilidade destes corpos híbridos, tanto para fotografia como para vídeo.
Porque É Que os Fotógrafos Compram Câmaras Antigas?
A explosão do interesse pelas PowerShot antigas tem várias explicações. Em primeiro lugar, a estética digital dos anos 2000 tornou-se viral nas redes sociais, com jovens fotógrafos a procurarem aquele aspeto característico de sensor CCD, cores saturadas e algum ruído digital. É a chamada estética Y2K aplicada à fotografia.
Em segundo lugar, estas compactas oferecem uma experiência de captura muito diferente dos smartphones modernos. Sem ecrãs enormes, sem filtros automáticos por IA, sem redes sociais integradas — apenas o essencial: apontar e disparar. Uma forma de fotografia mais consciente e intencional.
O Impacto no Mercado de Segunda Mão
Este fenómeno está a criar oportunidades interessantes para quem tem antigas PowerShot esquecidas em gavetas. Modelos como a G7 X Mark II podem hoje atingir valores entre os 400 e os 600 euros no mercado usado europeu, dependendo do estado de conservação.
As lojas especializadas em material fotográfico usado, como a Map Camera no Japão ou a MPB na Europa, reportam procura constante por estas câmaras. Muitas delas nem chegam a ficar disponíveis online — são vendidas diretamente a colecionadores e criadores de conteúdo.
Perspetiva RAFA Audiovisual
Do meu ponto de vista como profissional de audiovisual no Alto Minho, este regresso às compactas antigas é um sinal claro de que a fotografia moderna está a passar por uma crise de identidade. Os smartphones oferecem qualidade técnica impressionante, mas retiraram algo essencial ao ato fotográfico: a intenção.
Para os meus clientes que procuram imagens autênticas para as suas marcas ou projetos pessoais, recomendo sempre pensar no equipamento em função do resultado desejado. Uma câmara mirrorless full-frame moderna como a Sony a7 V é insuperável para trabalho profissional, mas há espaço criativo enorme nas texturas únicas das antigas compactas para projetos com estética diferenciada.
O futuro da fotografia não está apenas na resolução ou na velocidade — está na capacidade de contar histórias com carácter próprio.
--- Fonte: PetaPixel | Autor original: Jeremy Gray Fotografia: Jeremy Gray / PetaPixel Artigo original: https://petapixel.com/2026/07/14/photographers-just-keep-buying-old-canon-powershot-point-and-shoot-cameras/ Tradução e adaptação: RAFA Audiovisual — Produção de Vídeo e Fotografia no Alto Minho