Viajar como profissional da imagem exige mais do que apenas uma boa câmara. Após anos a testar equipamento no terreno, Mitchell Clark da DPReview partilhou recentemente a sua configuração de viagem — e as conclusões são reveladoras para qualquer fotógrafo ou videógrafo que trabalhe fora do estúdio.

As câmaras: menos é mais

Ao contrário do que se poderia esperar de um crítico profissional, o kit base é surpreendentemente contido. Uma mirrorless full-frame como corpo principal, complementada por uma segunda câmara mais compacta para situações onde a discrição conta. A lógica é simples: carregar duas câmaras pesadas em viagens longas é um erro que só se comete uma vez.

A escolha das lentes segue a mesma filosofia. Uma zoom versátil (24-70mm ou 24-105mm) cobre 80% das situações. Uma lente luminosa fixa de 35mm ou 50mm trata do resto. Teleobjetivas pesadas ficam em casa, exceto quando o trabalho especificamente as exige.

Os acessórios que realmente fazem a diferença

Aqui está a parte que muitos subestimam. Clark enfatiza que são os pequenos acessórios que separam uma viagem produtiva de uma frustrante:

As câmaras tiram as fotografias, mas são os acessórios que determinam se consegues tirá-las no momento certo.

A lista inclui múltiplos cartões SD de alta velocidade, baterias extra (sempre pelo menos quatro), um leitor de cartões USB-C rápido, panos de limpeza em microfibra, uma pêra de ar para remover poeiras e cabos de carregamento duplicados. Tudo redundante — porque Murphy existe.

Alimentação e armazenamento em movimento

Um power bank robusto com saída USB-C PD (Power Delivery) de pelo menos 65W permite carregar câmaras modernas, portátil e telemóvel. Para armazenamento, um SSD externo portátil (SanDisk Extreme Pro ou Samsung T7 Shield) serve de backup diário dos cartões — nunca confiar numa única cópia dos ficheiros em viagem.

Para videógrafos, um disco com interface USB 3.2 Gen 2 ou superior é obrigatório. Fazer backup de 128GB de material 4K numa ligação lenta ao fim do dia transforma-se em tortura.

A mala: o acessório mais importante

A escolha da mala é frequentemente negligenciada. Clark defende uma mochila técnica com acesso lateral rápido, divisórias configuráveis e compartimento dedicado para portátil. Marcas como Peak Design, Wandrd ou Shimoda dominam este segmento.

Dimensões cabin-friendly são essenciais: nunca despachar equipamento sensível. Uma mala que respeita os limites IATA (55x40x20cm na maioria das companhias europeias) evita dores de cabeça desnecessárias.

Perspetiva RAFA Audiovisual

A filosofia de Clark alinha-se completamente com a nossa experiência no terreno em Ponte de Lima e no Alto Minho. Em deslocações para cobertura de eventos como as Feiras Novas ou gravações corporativas em Braga e Viana do Castelo, o que mais pesa não é a câmara principal — são os pequenos detalhes.

Ter sempre duas baterias extras carregadas, cartões formatados antes de sair, SSDs com espaço livre confirmado e um power bank cheio é a diferença entre entregar o trabalho ao cliente ou passar a noite a tentar recuperar material. A lição é clara: investir em equipamento é fácil, mas investir em redundância e organização é o que define o profissional.

--- Fonte: DPReview | Autor original: Mitchell Clark Fotografia: Mitchell Clark / DPReview Artigo original: https://www.dpreview.com/videos/the-gear-i-travel-with-as-a-professional-camera-reviewer/ Tradução e adaptação: RAFA Audiovisual — Produção de Vídeo e Fotografia no Alto Minho