A revolução silenciosa das smart cameras
Durante décadas, o mercado das câmaras digitais foi dominado por nomes japoneses como Canon, Sony, Nikon, Fujifilm e Panasonic. Essa realidade está a mudar de forma acelerada. Um novo estudo da IDC (International Data Corporation), empresa chinesa de inteligência tecnológica, revela que a DJI vende, sozinha, mais câmaras digitais do que todos os fabricantes japoneses combinados.
O segmento analisado — as chamadas handheld smart cameras — inclui action cams, câmaras com gimbal integrado e dispositivos híbridos pensados para criadores de conteúdo. É um mercado jovem, mas que já supera largamente o das câmaras tradicionais em volume de unidades vendidas.
Os números que redefinem o sector
Segundo os dados divulgados pela IDC, o mercado global de smart cameras portáteis cresceu de forma exponencial nos últimos anos, impulsionado pela explosão de criadores em plataformas como TikTok, Instagram Reels e YouTube Shorts. Ferramentas como a DJI Osmo Pocket 3, a Osmo Action 5 Pro ou a linha Insta360 tornaram-se essenciais para quem produz vídeo em movimento.
Enquanto o mercado das mirrorless cresce de forma modesta, o das smart cameras cresce a dois dígitos anuais — e a DJI capitaliza praticamente todo esse crescimento.
A estratégia da marca chinesa foi clara: criar produtos acessíveis, com estabilização mecânica superior, autofoco por IA e workflow pensado para redes sociais. A velha fórmula japonesa — sensores maiores, lentes intercambiáveis, menus complexos — ficou presa a um público profissional cada vez mais nicho.
Porque é que os japoneses perderam terreno
Os fabricantes nipónicos não ficaram parados. A Sony lançou a ZV-E10 II e a ZV-1 II para criadores, a Canon apostou na linha PowerShot V, e a Nikon adquiriu a RED Digital Cinema. Mas nenhuma destas iniciativas conseguiu travar o avanço da DJI no segmento point-and-shoot inteligente.
A razão é estrutural: a DJI domina o gimbal eletrónico desde há mais de uma década, dominou a óptica compacta com drones, e aplicou esse know-how a câmaras de mão. Nenhum fabricante japonês tem este stack tecnológico vertical.
O que isto significa para o fotógrafo e videógrafo
Para quem trabalha com imagem, esta mudança tem implicações práticas. O mercado está a dividir-se em dois: por um lado, câmaras profissionais full-frame para cinema e fotografia comercial; por outro, smart cameras ágeis, estabilizadas e prontas para redes sociais. A fronteira entre amador e profissional é cada vez mais ténue.
Para marcas e empresas, isto significa que o conteúdo pode ser produzido com equipamentos mais pequenos, mais rápidos e mais baratos — sem perda significativa de qualidade para o destino final (Instagram, LinkedIn, YouTube).
Perspetiva RAFA Audiovisual
Trabalho diariamente com clientes no Alto Minho — imobiliárias, restaurantes, eventos — e os números da IDC confirmam o que vejo no terreno. A DJI Osmo Pocket 3 entrou na minha mochila há mais de um ano e tornou-se indispensável para b-roll, cenas em movimento e situações onde montar uma mirrorless com gimbal seria lento ou inviável.
Mas isto não significa o fim das câmaras tradicionais. Para fotografia imobiliária de qualidade, para entrevistas corporativas, para cinema de autor, continuo a usar sistemas full-frame. O que mudou foi o mindset: hoje escolho a ferramenta certa para cada trabalho, e muitas vezes essa ferramenta é um dispositivo DJI. O profissional moderno não é fiel a uma marca — é fiel ao resultado que entrega ao cliente.
--- Fonte: PetaPixel | Autor original: Jeremy Gray Fotografia: Jeremy Gray / PetaPixel Artigo original: https://petapixel.com/2026/09/30/dji-sells-more-digital-cameras-than-all-japanese-makers-combined/ Tradução e adaptação: RAFA Audiovisual — Produção de Vídeo e Fotografia no Alto Minho