A Tempestade Perfeita no Mercado dos Cartões de Memória
O último ano foi particularmente duro para quem precisa de armazenamento profissional. Os preços dos cartões de memória dispararam de forma preocupante, com alguns modelos a custarem o dobro do que custavam há 18 meses. A razão principal? A corrida mundial à inteligência artificial.
Os grandes data centers que alimentam modelos de IA como o ChatGPT, Gemini e Claude estão a consumir memória flash NAND a um ritmo sem precedentes. Esta procura desenfreada criou uma escassez global que afeta diretamente o mercado consumidor, deixando fotógrafos e videógrafos a competir por stock cada vez mais limitado.
Porque é que os Preços Subiram Tanto
A memória flash NAND é o componente essencial de qualquer cartão SD, CFexpress ou microSD moderno. Os fabricantes como Samsung, SK Hynix e Micron redirecionaram grande parte da sua produção para servir o mercado empresarial de IA, onde as margens são substancialmente maiores.
A escassez de flash NAND não é temporária — é uma mudança estrutural no mercado que vai manter os preços elevados pelos próximos trimestres.
Para contextualizar: um cartão CFexpress Type B de 512GB que custava cerca de 180€ em 2024, hoje atinge facilmente os 320€ a 400€. Os cartões SD V90 UHS-II seguiram tendência semelhante, com subidas entre 40% e 70%.
Onde Encontrar as Melhores Oportunidades
Apesar deste cenário desafiante, ainda é possível conseguir cartões a preços razoáveis se souber onde procurar. As Black Friday e promoções sazonais continuam a ser os melhores momentos para investir em armazenamento. Marcas como SanDisk, Lexar, ProGrade Digital e Angelbird fazem campanhas pontuais com descontos agressivos.
Dicas práticas para poupar:
— Comprar modelos da geração anterior quando a velocidade máxima não é crítica.
— Preferir cartões de maior capacidade (1TB) em vez de vários pequenos — o preço por GB é melhor.
— Verificar vendedores autorizados para evitar contrafações, cada vez mais comuns em marketplaces.
— Considerar marcas emergentes como Nextorage ou Delkin Devices, que oferecem desempenho profissional por valores mais competitivos.
Que Cartão Escolher para Cada Equipamento
A escolha do cartão deve ser ditada pelo workflow real, não pela especificação máxima do slot da câmara. Para fotografia híbrida com corpos como a Sony A7 IV ou Canon R6 Mark II, um bom cartão SD V60 é suficiente. Já para vídeo RAW em câmaras como a Nikon Z8, Z9 ou Canon R5 C, o CFexpress Type B torna-se indispensável.
Para gravação ProRes RAW ou Blackmagic RAW em equipamentos cinematográficos, deve privilegiar cartões com Sustained Write Speed garantida pelo fabricante, não apenas velocidades de pico.
Perspetiva RAFA Audiovisual
No terreno, aqui no Alto Minho, esta crise dos cartões obriga-nos a repensar fluxos de trabalho. Quando o preço do armazenamento triplica, cada minuto gravado passa a ter um custo real que não podemos ignorar nos orçamentos.
A minha abordagem tem sido rotatividade inteligente: menos cartões, mas melhores, com descarregamento imediato para RAID no final de cada dia de filmagem. Investir em dois CFexpress de 512GB de topo compensa mais do que ter seis cartões medianos que podem falhar numa cerimónia ou numa sessão imobiliária que não se repete.
Para colegas que estão a começar na região: não cedam à tentação de comprar cartões sem marca em marketplaces chineses. Já vi demasiados projetos perdidos por causa de corrupção de dados em cartões falsificados. O custo de um disco rígido profissional é sempre menor que o custo de perder o material de um casamento ou de um evento único como as Feiras Novas de Ponte de Lima.
--- Fonte: PetaPixel | Autor original: Jeremy Gray Fotografia: Jeremy Gray / PetaPixel Artigo original: https://petapixel.com/2026/10/16/you-can-save-hundreds-on-all-types-of-memory-cards/ Tradução e adaptação: RAFA Audiovisual — Produção de Vídeo e Fotografia no Alto Minho