Uma nebulosa predatória conquista o grande prémio

O concurso ZWO Astronomy Photographer of the Year 18, organizado anualmente pelo Royal Observatory Greenwich, encontrou o seu grande vencedor. Ali Alobaidly arrecadou o prémio máximo de 10.000 libras (cerca de 13.400 dólares) com uma imagem impressionante da Nebulosa do Tubarão, uma nuvem molecular escura escondida na constelação de Cefeu, a mais de 650 anos-luz da Terra.

A fotografia destaca-se pela sua qualidade etérea e pelo nível de detalhe alcançado, revelando a silhueta ameaçadora que empresta o nome a esta formação cósmica. É o tipo de imagem que exige centenas de horas de exposição acumulada e um domínio técnico absoluto sobre o processamento astrofotográfico.

O concurso mais prestigiado da astrofotografia

Com 18 edições completadas, o Astronomy Photographer of the Year consolidou-se como a mais reconhecida competição mundial dedicada à fotografia do cosmos. Organizado pelo Royal Observatory Greenwich em Londres, o concurso avalia milhares de submissões vindas de dezenas de países.

A astrofotografia moderna combina paciência científica com sensibilidade artística — cada imagem premiada representa noites em claro, cálculos meticulosos e uma leitura profunda da luz que atravessou o universo durante milhares de anos.

As categorias abrangem desde paisagens celestes até imagens do Sol, aurora boreal, galáxias distantes, planetas e estrelas. Este ano foram distinguidos 31 vencedores, cada um representando uma abordagem única ao céu noturno.

A técnica por trás das imagens

Capturar uma nebulosa como a do Tubarão exige equipamento especializado que vai muito além de uma câmara convencional. Os astrofotógrafos utilizam normalmente telescópios apocromáticos, montagens equatoriais com seguimento automatizado e câmaras dedicadas com sensores refrigerados — muitas vezes da própria ZWO, patrocinadora do concurso.

O processamento é tão importante quanto a captura. Software como PixInsight, Astro Pixel Processor ou Siril permite empilhar centenas de exposições individuais, reduzir ruído e extrair detalhes invisíveis a olho nu. Filtros de banda estreita como H-alpha, OIII e SII isolam comprimentos de onda específicos, tornando possível revelar estruturas de gás e poeira interestelar.

O que Portugal pode aprender com estas imagens

Portugal continua a ser um dos melhores destinos europeus para observação astronómica, com o Alqueva classificado como reserva Dark Sky e várias zonas do interior norte com poluição luminosa reduzida. O Alto Minho, em particular, oferece condições notáveis durante as noites de outono e inverno, com a Via Láctea a atravessar o céu de forma visível a olho nu.

Estes concursos internacionais servem de inspiração para uma nova geração de fotógrafos portugueses que exploram a astrofotografia como género artístico e científico. As técnicas partilhadas pelos vencedores tornam-se referência global e ajudam a democratizar uma prática que exigia, há uma década, orçamentos apenas acessíveis a observatórios profissionais.

Perspetiva RAFA Audiovisual

A astrofotografia é um dos géneros que mais respeitamos no universo da imagem — combina rigor técnico, paciência e uma sensibilidade quase contemplativa. No Alto Minho, temos explorado timelapses da Via Láctea e capturas noturnas que aproveitam a excecional qualidade do céu da região, particularmente nas serras da Peneda e do Soajo.

Vencedores como Ali Alobaidly lembram-nos que a fotografia não é apenas sobre o que está à nossa frente, mas também sobre o que está infinitamente acima. Para quem trabalha com vídeo e imagem no norte de Portugal, estas imagens são um convite a olhar para cima e a integrar o céu noturno como cenário nas próximas produções.

--- Fonte: PetaPixel | Autor original: Jeremy Gray Fotografia: Jeremy Gray / PetaPixel Artigo original: https://petapixel.com/2026/09/17/the-31-out-of-this-world-winners-of-astronomy-photographer-of-the-year/ Tradução e adaptação: RAFA Audiovisual — Produção de Vídeo e Fotografia no Alto Minho