Axcel prepara saída do capital da Capture One
Segundo informações avançadas por fontes internacionais, a Axcel, sociedade de capital privado de origem nórdica, terá iniciado um processo de venda da Capture One, software de referência no tratamento de ficheiros RAW e edição profissional de imagem. A operação estará a ser conduzida sob o formato de leilão, abrindo a porta a múltiplos interessados no mercado de software criativo.
A Axcel detém a empresa dinamarquesa desde 2019, altura em que a adquiriu à Phase One, fabricante de sistemas de médio formato. Desde então, a Capture One ganhou autonomia operacional, alargou o catálogo de subscrições e reforçou a aposta em fotógrafos de moda, publicidade e estúdio.
Sete anos de transformação sob gestão de private equity
Durante o período sob controlo da Axcel, a Capture One adotou um modelo de negócio fortemente assente em subscrições anuais, em linha com a estratégia da concorrente Adobe Lightroom. A transição não foi pacífica junto da comunidade, com vários utilizadores históricos a manifestarem descontentamento face ao fim das licenças perpétuas e ao aumento gradual dos preços.
Ainda assim, o software manteve o estatuto de ferramenta de eleição para muitos profissionais, sobretudo pela qualidade do tethering, pelo perfil de cor e pela integração nativa com câmaras Phase One, Fujifilm, Sony, Nikon e Canon.
O valor da Capture One reside na confiança que conquistou junto dos fotógrafos de estúdio, um nicho difícil de replicar por qualquer concorrente.
Quem poderá ficar com a Capture One?
O perfil do potencial comprador é, neste momento, uma incógnita. Especula-se que outros grupos de private equity, fabricantes de hardware fotográfico ou mesmo empresas de software criativo possam estar entre os candidatos. Uma eventual aquisição por parte de um concorrente direto levantaria, no entanto, questões delicadas em matéria de concorrência.
O valor da transação também não foi confirmado, embora analistas estimem que a Capture One se posicione na faixa das centenas de milhões de euros, dada a sua quota no segmento profissional.
Impacto para fotógrafos e estúdios profissionais
Para quem trabalha diariamente com o software, a mudança de proprietário levanta dúvidas legítimas sobre o futuro do produto: roteiro de funcionalidades, política de preços, suporte técnico e compatibilidade com novos sistemas de câmara. Historicamente, mudanças deste tipo costumam trazer períodos de incerteza, seguidos de reorientações estratégicas que podem agradar ou afastar parte da base de utilizadores.
A confirmar-se a venda, será o segundo grande reposicionamento da empresa em menos de uma década, depois da separação da Phase One.
Perspetiva RAFA Audiovisual
No nosso trabalho diário em fotografia e vídeo no Alto Minho, ferramentas estáveis e previsíveis são essenciais. A possível venda da Capture One é um lembrete de que o software profissional vive cada vez mais sujeito a lógicas de capital que pouco têm a ver com o ofício de captar imagem. Continuamos atentos à evolução do processo, sobretudo no que toca à política de licenciamento e à manutenção do suporte para câmaras de média gama, que utilizamos em coberturas culturais e institucionais na região.
--- Fonte: PetaPixel | Autor original: Jeremy Gray Fotografia: Jeremy Gray / PetaPixel Artigo original: https://petapixel.com/2026/05/28/capture-ones-private-equity-owner-is-trying-to-sell-it-report/ Tradução e adaptação: RAFA Audiovisual — Produção de Vídeo e Fotografia no Alto Minho